Pré-candidata ao Governo Clorisa Linhares participa de entrevista.



Vereadora de primeiro mandato, Clorisa Linhares é do PSDC. 

Integra o Legislativo de Grossos, uma cidade pequena, com pouco mais de 10 mil eleitores. 

E foi justamente o trabalho que ela desenvolve naquele município que a credenciou a ser indicada como pré-candidata do seu partido ao Governo do Estado. Nesta entrevista, Clorisa fala um pouco sobre o processo que culminou com a sua indicação e discorre acerca de como pautará sua caminhada política a partir de agora. 

Na conversa com o repórter, a vereadora e pré-candidata apresenta um assunto interessante e que pode servir de base para toda e qualquer ação governamental. Trata-se da psicomotricidade relacional. Leia a entrevista abaixo e saiba mais quem é Clorisa Linhares e o que ela pensa sobre política, campanha eleitoral e corrupção.



JORNAL DE FATO – A gente sabe que uma campanha é complicada, ainda mais nos tempos atuais, de denúncias de corrupção pelo Brasil afora, e a senhora vai enfrentar uma campanha eleitoral nesse ritmo. A senhora está estreando na política: é vereadora de primeiro mandato e agora é pré-candidata ao Governo do Estado. O que a levou a aceitar a indicação do seu partido?



CLORISA LINHARES – Esse convite veio do próprio diretório estadual, convalidado com o federal. Para mim, foi uma surpresa e fiz essa pergunta ao presidente estadual do PSDC, doutor Joanilson de Paula Rego, e ele me respondeu que, em relação aos trabalhos que vêm sendo desenvolvidos na cidade de Grossos, bem como o meu histórico: trabalhei mais de 12 anos em empresas privadas, vou fazer 15 anos em empresas públicas e não consta nada que desabone meu currículo e contra a minha moral. 

Um currículo limpo, idôneo. Então, ele fez várias pesquisas nesse aspecto e disse que iria lançar a minha pré-candidatura. Fez o convite e eu disse que iria pensar. Fiquei muito honrada com o convite e não poderia deixar de analisar. Realmente, é um grande desafio, mas creio que esse cenário de corrupção em relação à minha pessoa só me favorece. 

Porque, graças a Deus, em 45 anos de idade, você pode procurar qualquer coisa e não vai achar nada que possa desabonar a minha conduta moral.



A SENHORA sabe que terá um desafio grande. O Rio Grande do Norte, a exemplo de outros estados, passa por uma crise séria e o Governo do Estado tem se mostrado falho em determinadas áreas, dentre elas a saúde, educação e segurança, e que podem ser amplamente debatidas na sociedade. Mesmo assim, diante desse cenário, a senhora pretende seguir adiante com esse projeto, sabendo que o RN passa por um momento complicado nas suas finanças?



A VIDA é traçada por desafios. Sou mãe de filho especial e o primeiro desafio que tracei foi há 21 anos, e agora, recentemente, recebi resultado positivo. Não é por acaso, tenho formação (superior) em Contabilidade e Direito, pós-graduação em Segurança Pública, Psicomotricidade Relacional e acho que nada disso é por acaso. Sou cristã, acima de tudo, tenho fé. Acredito que, com boa gestão, você tire a corrupção do cenário, porque se a gente for falar em percentuais, quanto é que se tem, em dinheiro, hoje perdido na corrupção? Se você colocar uma pessoa íntegra, dedicada, capaz, com vontade de realmente resolver os problemas, com certeza, acredito que é possível fazer alguma coisa. 

Claro que terá planejamento em curto, médio e longo prazo, porque o estado em que o Rio Grande do Norte se encontra não é fácil. Mas, também, sei que o RN tem muitas riquezas que estão subutilizadas, e uma boa gestão faz toda a diferença. 

Como empreendedora, posso dizer isso: que em períodos de crise, graças a Deus, a gente vem mantendo a parte empresarial bem, porque muitas vezes a gente tira proveito da crise. Quem trabalha na área contábil sabe que isso é muito relativo e quem sabe trabalhar com números pode transformar dificuldades em oportunidades. Acredito nisso.



NO CENÁRIO nacional, percebe-se que a política está deteriorada, com denúncias diversas de corrupção, com desvio de verba pública. A senhora acha que é possível o cidadão, o eleitor, voltar a acreditar na política?



ACREDITO, sim. Porque quando a gente perde a esperança, a gente chegou ao fim do túnel, não é verdade? Então, sou uma pessoa, volto a dizer, cristã, e acredito que seja necessário, neste momento, que as pessoas que querem um Brasil, o Rio Grande do Norte melhor, possam fazer valer seu voto e saber escolher o verdadeiro candidato que possa representar essa escolha de integridade, moralidade e, principalmente, vontade de fazer que a situação que está em péssimas condições possa voltar a ser algo satisfatório.



OBVIAMENTE que a senhora vai montar equipe, conversar com partidos que possam a vir lhe apoiar e definir o pré-candidato a vice-governador. Já começou a conversa com outros partidos, visando à composição da futura aliança?



EU, POR enquanto, não. Isso compete ao diretório estadual. No momento, sou vereadora, estou fazendo meu trabalho e muitas pessoas vêm conversar comigo. Mas, isso que o senhor está falando fica a cargo do diretório estadual, com o presidente, doutor Joanilson de Paula Rêgo.



VAMOS falar da Clorisa vereadora. A senhora disse, no início, que o trabalho que vem desenvolvendo em Grossos foi o que chamou a atenção do diretório estadual, a ponto de lançá-la como pré-candidata ao Governo do Estado. Que trabalho é esse?



NÓS temos um trabalho social, que é o projeto “Realizando Sonhos”, que atende a quase 600 pessoas hoje, seja com médicos, saúde, educação, cultura, esporte… É um trabalho voltado muito para o social. E também tem o trabalho voltado para a psicomotricidade relacional, que é um método francês que trabalha as bases, as famílias, voltado para crianças especiais, para a redução da violência, voltado para um trabalho preventivo que começa nas escolas, melhora a aprendizagem. A parte empresarial pode ser beneficiada pelo método. Temos, também, trabalhos feitos na área do esporte e também alguns projetos de lei que tramitam na Câmara Municipal. A gente vem, ativamente, trabalhando no município de Grossos e, inclusive, na parte de fiscalizações.



A SENHORA acha que é possível ampliar e direcionar o projeto da psicomotricidade para o âmbito estadual?



A PSICOMOTRICIDADE relacional já existe no âmbito estadual no Mato Grosso do Sul e em vários outros estados e municípios, inclusive Curitiba, Fortaleza. A psicomotricidade relacional é uma realidade que vem para modificar a nossa sociedade. 

Não tenho dúvidas disso. Por que você fala com tanta convicção? Porque os resultados que tenho hoje do meu filho, graças a Deus, mas a psicomotricidade foi quem encaminhou esses resultados positivos em meu filho e na questão da estrutura familiar para dar conta de toda uma situação. Também foi aprovada na Câmara de Grossos, mas em Tibau já foi aprovada, sancionada, e já vão começar a parte de cursos profissionalizantes para os trabalhos serem iniciados. 

Então, tenho certeza, até porque o método é reconhecido em nível internacional… Vem como forma preventiva nas escolas, mas também pode ser trabalhado no âmbito da segurança pública e já se tem registros feitos em Curitiba sobre o método em presídios, com agentes de segurança e também na questão da saúde pública. 

Tem a parte clínica, que também pode ser utilizado. Isso, para mim, é algo valioso e que não podemos desperdiçar. Muito pelo contrário. Tem que aproveitar essa metodologia para a gente ajudar a nossa sociedade e começando das bases, que são as famílias.



PELO que a senhora deixa entender, é algo que envolve aspectos pedagógicos que podem ser ampliados para outras áreas?



É, PORQUE surgiu como método para crianças especiais, mas se expandiu, e hoje trabalha de forma preventiva nas escolas. Já tem resultados e todos comprovados cientificamente. 

Mas, o método pode ser utilizado na área empresarial… No ano passado, a gente fez um fórum empresarial, envolvendo 60 empresários de Mossoró, que puderam conhecer o método… Ainda pode ser utilizado na saúde e já fizemos alguns trabalhos em hospitais. Esse método visa trazer saúde laboral para quem precisa. É um método muito rico e os custos são os mínimos possíveis. Acredito que a psicomotricidade relacional pode trazer grande base em um contexto complexo e servir de base para muita coisa.



QUANDO se fala em Rio Grande do Norte, fala-se em um estado rico com pobreza na distribuição da sua riqueza. Tem-se o sal, o petróleo, a fruticultura e outros nichos da economia. Como a senhora pretende trabalhar o seu nome diante dessa diversidade?



VAMOS fazer visitas e mostrar, através de planos de trabalho, as potencialidades do estado e as possibilidades de se trabalhar essas potencialidades. 

Não é nada fora do normal. É tudo possível. Com um plano simples, prático, mas contando, principalmente, com profissionais competentes e de idoneidade moral. Isso vai ser primordial e fundamental para um bom trabalho, até porque a corrupção não está só no âmbito da política. Se formos observar, hoje isso é uma doença que está em todos os setores. Ninguém hoje pode dizer que está livre da corrupção. 

Se você vai ao setor médico, setor jurídico ou empresarial, em todo canto hoje existe um pouco de corrupção. Então, que a gente possa, cada um, fazer o seu papel, denunciando, falando, levando ao conhecimento público esses problemas que fazem parte da sociedade brasileira.



A CAMPANHA do ano que vem será marcada por acusações e denúncias envolvendo a corrupção. No Rio Grande do Norte, tem político preso denunciado pela prática de corrupção…



ESPERO que a população, que é a única responsável por colocar essas pessoas que se encontram nos poderes, e essa é uma responsabilidade do povo, nossa, que a gente possa fazer boas escolhas. 

Que possa refletir e procurar avaliar quem é a pessoa que você vai votar. Se tem alguma coisa que fala sobre ele, que remete a algum processo, o que tem feito, em termos de exemplo político para o nosso estado, município e país… Acho, nesse momento, que devemos ter um grande senso crítico, para que possamos errar menos. 

A questão das investigações, o que nos resta é esperar, até porque acredito que a Justiça fará a diferença, e está fazendo a diferença agora. Queira ou não, isso começou pelas mãos da Justiça. Então, vamos aguardar e ver como é que ficará esse quadro político daqui para o próximo ano.



Fonte  - Jornal de Fato - Por Edílson Damasceno.

Previous
Next Post »